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Fast Company - Três dicas práticas para o redesenho do trabalho

Atualizado: 15 de fev.



A WeWork da América Latina e a Page Outsourcing lançaram este mês uma pesquisa com três mil colaboradores no Brasil e 10 mil na América Latina sobre Tendências e Perspectivas do Trabalho. A pesquisa contou com a minha colaboração e a do professor Alexandre Pellaes na análise de algumas tendências.


Certamente o futuro é incerto, mas temos pelo menos uma certeza: não dá para voltar a 2019 e nem às tendências de controle. O mundo de hoje exige flexibilidade em vários aspectos. Se ainda não estamos nos preparando para isso, é preciso repensar. Chegou o momento de redesenhar a jornada de trabalho, de forma mais produtiva, mais flexível e saudável.


Para os entrevistados da pesquisa, 46% citam a flexibilidade como benefício inegociável, enquanto 27% citam o plano de saúde. Em nossa apresentação, alguns participantes ficaram perplexos com esse dado, porém, outros enxergam como algo natural dos GenZs, que preferem trabalhar de forma mais livre e autônoma. Para eles, é mais importante ter essa flexibilidade do que vender seu tempo por benefícios.


Então, por que ainda temos tanta discussão retrógrada neste momento? Será que a liderança ainda não acredita que perderá talentos e resultados atuando no comando e controle, na sobrecarga e abusos?


Claudia Woods, CEO da WeWork para a América Latina, trouxe a provocação de que agora talvez seja um momento histórico de redesenhar a jornada de trabalho, mas que ainda não sabemos muito como fazer isso, pensando em alcançar metas e objetivos, mas aprendendo a atuar de forma mais saudável.


Há medos e crenças que são obstáculos nesta construção. Mas a verdade é que alguns já estão construindo esse novo caminho e provavelmente sairão na frente daqueles que ainda querem manter o status quo.


Na Reconnect, temos atuado com grandes clientes, como Grupo Boticário, Takeda, Stellantis, entre outros, em três grandes redesenhos:


1. Redesenho do tempo


Precisamos aprender a atuar de forma mais eficiente e mais inteligente. Hoje, estamos sobrecarregados, porém improdutivos. Trabalhamos muito, mas nem sempre bem. É preciso, então, entender os ofensores da produtividade que nos trazem a sobrecarga atual.


No piloto da semana de quatro dias junto à 4 Day Week Global estamos exatamente trabalhando nesta análise e planejamento. De acordo com um estudo da “Harvard Business Review“, os executivos passam em média 23 horas por semana em reuniões. Sendo que há dados que nos mostram a ineficiência e eficácia deste modelo:

  • 71% dos gestores seniores dizem que as reuniões são improdutivas e ineficientes¹.

  • 63% das reuniões não têm agenda definida².

  • 73% das pessoas realizam outros trabalhos durante as reuniões².

  • 47% dos funcionários afirmam que muitas reuniões são a maior perda de tempo no trabalho³.

  • 91% dos funcionários sonham acordados durante as reuniões⁴.

  • 39% dos funcionários adormeceram durante uma reunião⁴.

  • 63% das reuniões não têm acompanhamento⁵.

  • 51% dos funcionários afirmam que as reuniões são muito longas⁶.

  • 62% das reuniões são frequentadas por pessoas erradas⁶.

  • As reuniões custam às empresas dos EUA US$ 37 bilhões por ano³.

  • Reuniões com mais de oito pessoas geralmente são menos produtivas⁷.

  • 67% dos funcionários afirmam que se sentem esgotados após uma reunião⁷.

Ou seja, as reuniões são longas, frequentes, com muitas pessoas, sem pauta definida, com muitos momentos de divagação, poucos resultados e tomadas de decisões.


Alguém ainda não vê o problema que esse modelo está gerando? E por que ainda relutamos em redesenhar o tempo? Porque ainda preenchemos a agenda com 10 reuniões? Sabemos do problema e somos responsáveis por ele, mas temos medo de mudar.


A Microsoft Japan fez uma revisão nas reuniões para trabalhar menos e melhor: pautas detalhadas definidas, reuniões de 30 minutos como default e até cinco participantes. Parece simples, mas isso permitiu redução de um dia na semana de trabalho.


É preciso construir mais qualidade de vida, flexibilidade e harmonia entre vida pessoal e profissional. Ninguém mais quer viver para trabalhar.


2. Redesenho do trabalho


É preciso trabalhar para desafiar o time de acordo com suas forças. O flow só acontece quando nos desafiamos, mas com desafios que estejam dentro das nossas habilidades. Se o trabalho é muito fácil, nos traz apatia; porém, se é constantemente difícil, nos traz ansiedade.


AGORA TALVEZ SEJA UM MOMENTO HISTÓRICO DE REDESENHAR A JORNADA DE TRABALHO, MAS AINDA NÃO SABEMOS COMO FAZER ISSO.

O líder precisa ajudar o time a encontrar seus pontos fortes e designar as atividades certas para as pessoas. Quando fazemos isso, aumentamos o flow e o senso de realização.


Além disso, é importante que as pessoas encontrem sentido em seu trabalho. Temos a crença de que propósito sempre precisa ser algo grande e nobre, mas todas as pessoas podem encontrar significado em suas atividades.


Quando percebemos que impactamos colegas, pares, time, fornecedores, clientes e até a sociedade, percebemos que o propósito tem muito mais a ver com o dia a dia do que um momento raro e extraordinário.


3. Redesenho das relações interpessoais


O maior preditivo da felicidade e também dos resultados positivos são as pessoas à nossa volta. É preciso que não haja mais abusos e desrespeito e que possamos construir relações mais humanas e empáticas nas organizações. As pessoas querem se sentir valorizadas e respeitadas em seus trabalhos.


É PRECISO CONSTRUIR MAIS QUALIDADE DE VIDA, FLEXIBILIDADE E HARMONIA ENTRE VIDA PESSOAL E PROFISSIONAL.

Além disso, é preciso um ambiente com segurança psicológica e relações de confiança. Ter um grupo de apoio na vida pessoal e no trabalho é essencial para uma vida mais feliz e produtiva. Precisamos construir relações mais saudáveis e combater o ambiente tóxico, que hoje tem sido um ofensor na saúde mental, mas também nos resultados.


Nada disso parece novo e nem disruptivo. Mesmo assim, ainda não atuamos dessa forma na prática. Quando os resultados caem, voltamos a comportamentos de controle, gestão do medo, abusos, sobrecarga.


Porém, ficamos neste ciclo que, no final, tem nos adoecido e gerado resultados aquém do esperado. É possível construir um capitalismo mais consciente, com resultados, mas de forma mais saudável.


Se você ainda não está redesenhando algum desses pontos em sua empresa, é preciso rever. Não espere os resultados piorarem, o turnover dos talentos e o absenteísmo por saúde mental aumentarem. A hora da mudança é agora.


Fontes:

1. Harvard Business Review; 2. Atlassian; 3. Inc.; 4. The Muse; 5. Wrike; 6. Workfront; 7. Attentiy


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